A delegação do Irã foi a única ausente do 76º Congresso da Fifa, realizado nesta quinta-feira, em Vancouver, no Canadá – as outras 210 associações participaram do evento. Apesar disso, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a seleção do país estará na Copa do Mundo, a partir de junho.
De acordo com agências internacionais, o presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, teve sua entrada negada no Canadá por ter atuado, no passado, na Guarda Revolucionária do Irã – o país está em guerra com os EUA e Israel.
Segundo apurou o ge, a delegação do Irã chegou ao Canadá no começo da semana com três pessoas. Duas delas tiveram a entrada permitida pela imigração local, mas elas escolheram não participar do evento depois que Taj foi barrado.
A 42 dias do início da Copa do Mundo, para a qual os iranianos estão classificados, a ausência realimenta a possibilidade de a seleção asiática não jogar a competição em que os seus três jogos da fase de grupos estão previstos para os EUA – em Seattle e Los Angeles.
Apesar do incidente, membros da Fifa mantém a posição da entidade, de que o Irã tem vaga na Copa e irá disputar as partidas nos locais determinados pelo sorteio – houve um pedido iraniano para que os jogos fossem transferidos para o México.
No início do Congresso, o secretário-geral da Fifa, Matias Grafstrom, chamou país por país para reforçar a presença das delegações. Ao citar a República Islâmica do Irã, afirmou:
– Ausente.
Pouco depois, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, falou sobre o caso:
– A quem está escrevendo sobre isso, é claro que o Irã irá participar da Copa de 2026. O Irã irá jogar nos EUA. O motivo é simples: temos de nos unir, unir as pessoas, é a nossa responsabilidade. O futebol une o mundo – afirmou o dirigente.
– Temos de sorrir, ser felizes, ser positivos. Muitas pessoas tentando dividir o mundo, se ninguém unir, o que acontecerá? Temos essa oportunidade, temos a Copa, muito poderosa, tem a mágica de nos unir. Juntos somos invencíveis.
A ausência da delegação iraniana tem protagonizado as conversas em Vancouver desde o início da semana, quando foi realizado o congresso da AFC (Confederação Asiática de Futebol).
O secretário-geral da AFC, Windsor John, afirmou apenas que os iranianos não participariam “por formalidades de visto”. Depois, o presidente da AFC, xeque Salman bin Ebrahim Al Khalifa, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, distribuiu presentes às equipes asiáticas que disputarão a Copa, informando que os iranianos receberiam “assim que chegassem”.
Há o temor de que a situação possa se repetir nos EUA - a seleção do Irã precisa desembarcar no país até 10 de junho, cinco dias antes de sua estreia, contra a Nova Zelêndia, em Seattle. A equipe depois enfrenta a Bélgica, dia 21, em Los Angeles, e volta a Seattle para duelar com o Egito no dia 27.
Na semana passada, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, indicou que o país entende que há a presença de membros da Guarda Revolucionária entres as pessoas que podem fazer parte da delegação do Irã na Copa do Mundo.
Rubio afirmou que a seleção do Irã não terá problemas para visitar os EUA para a disputa do torneio, mas indicou:
– O problema com o Irã não são os atletas, mas algumas das pessoas que eles gostariam de trazer, algumas com ligações com a Guarda Revolucionária. Talvez não possamos permitir a entrada delas.




