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Domingo, 12 de Abril de 2026, 18h:01 - A | A

acordo de paz com EUA

Putin liga para presidente do Irã e se oferece para mediação

Presidente russo 'enfatizou a sua disponibilidade para facilitar ainda mais a busca de uma solução política e diplomática para o conflito', disse comunicado do Kremlin

O Globo com agências internacionais

O presidente russo, Vladimir Putin, disse ao seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, durante uma conversa telefônica feita neste domingo (12), que estava pronto para ajudar a mediar os esforços para alcançar a paz no Oriente Médio, informou o Kremlin em comunicado. As negociações entre Irã e Estados Unidos, que tiveram início no dia anterior (11), no Paquistão, terminaram sem consenso.

"Vladimir Putin enfatizou a sua disponibilidade para facilitar ainda mais a busca de uma solução política e diplomática para o conflito e para mediar os esforços para alcançar uma paz justa e duradoura no Médio Oriente", disse o Kremlin no documento.

De acordo com o comunicado, o presidente iraniano teria expressado "apreço" à posição da Rússia na "redução da tensão" e agradecido "sua ajuda humanitária prestada ao povo iraniano".

Informações veiculadas na imprensa internacional afirmam que a Rússia tem fornecido informações sobre alvos americanos no Oriente Médio ao Irã para seus ataques retaliatórios aos EUA, além de imagens de satélite de aprimoramentos tecnológicos para drones. Do outro lado, o Irã tem sido um dos principais apoiadores da Rússia durante a guerra na Ucrânia, compartilhando tecnologia para produção de drones de ataque unidirecionais baratos.

Pezeshkian também teria felicitado Putin e os cristão ortodoxos russos pela Páscoa. No Leste Europeu, a situação tampouco é mais tranquila: Rússia e a Ucrânia, em guerra há quatro anos, decretaram um cessar-fogo para o feriado, mas trocaram acusações mútuas de violação à trégua. As hostilidades. em teoria, foram suspensas no sábado e devem seguir assim ao longo do domingo, completando um total de 32 horas.

O Kremlin, porém, já informou que não prolongará a trégua da Páscoa até que Kiev. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse no sábado que considerava "correto" prolongar o cessar-fogo.

Negociações terminam sem acordo
Apesar de 21 horas de tratativas, Irã e Estados Unidos não conseguiram alcançar um acordo para o fim da guerra, que teve início no dia 28 de fevereiro. O vice-presidente americano, JD Vance, que lidera as negociações em Islamabad, disse que deixou o Paquistão após apresentar a "oferta final e melhor". O Irã, porém, chamou de "irracionais" as reivindicações americanas.

De acordo com a rede americana CNN, a delegação iraniana também já deixou o Paquistão. Os americanos também não deixaram um membro da equipe no país que, até a manhã deste domingo (12), destacou que continuaria mediando as negociações entre Teerã e Washington. O ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, disse que o país "continuará desempenhando seu papel para facilitar o engajamento e diálogo entre as partes" e instou a manutenção do cessar-fogo.

Uma fonte próxima às tratativas disse à agência Fars, citada pela rede CNN, que o Irã "não tem pressa" para chegar a um acordo nas negociações com os EUA e que, até o momento, não há planos para uma nova rodada de conversas.

As conversas em Islamabad marcaram o encontro de mais alto nível entre Teerã e Washington desde a Revolução Islâmica, em 1979. Sinais de tensão nas negociações surgiram quando a mídia iraniana acusou os Estados Unidos de fazerem "exigências excessivas" sobre o Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto do petróleo mundial antes de seu fechamento efetivo pelo Irã durante a guerra.

As exigências iranianas para qualquer acordo que ponha fim à guerra incluem o descongelamento de ativos iranianos sancionados e o fim da guerra de Israel contra o Hezbollah no Líbano — ao que Tel Aviv mantém posição contrária. A abertura do Estreito de Ormuz também representou um ponto de atrito.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também insistiu, várias horas após o início das negociações no sábado, que os Estados Unidos já haviam triunfado no campo de batalha, matando líderes iranianos e destruindo infraestrutura militar fundamental. "Para mim, tanto faz se fizermos um acordo ou não. O importante é que já vencemos", disse Trump.

Apesar do fracasso nas negociações, não houve retorno imediato das hostilidades, embora o fantasma do retorno das agressões siga rondando a região. O Ministério da Energia da Arábia Saudita afirmou nesse domingo que seu principal oleoduto leste-oeste voltou a operar após ter sido danificado em ataques anteriores, e o Ministério dos Transportes do Catar disse que estava suspendendo algumas restrições à navegação no Golfo.

As instalações de energia desses dois países foram alvos de ataques iranianos logo nos primeiros dias do conflito. Tanto a Arábia Saudita quanto o Catar abrigam bases americanas em seu território.

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