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Terça-feira, 02 de Dezembro de 2025, 08h:08 - A | A

CONTORNO LESTE

Abilio admite que decisão de regularizar área “fere valores da direita”, mas diz preferir “ter o coração mais calmo”

DA REDAÇÃO

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), disse que tomou a decisão de desapropriar a área do Contorno Leste e iniciar a regularização fundiária mesmo reconhecendo que a medida contraria princípios defendidos pela direita, incluindo o direito de propriedade. As declarações foram feitas um dia após o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ter criticado publicamente o prefeito por, segundo ele, “regularizar área invadida”.

Durante visita às famílias que vivem há cerca de três anos na região, Abilio disse que ponderou entre estar politicamente correto e atender um apelo humano.

“Entre estar certo e ter o coração mais calmo, eu escolhi ter o coração mais calmo. Vai ficar uma cicatriz, uma marca de que o Abilio foi contra o direito de propriedade de um lugar, mas eu prefiro conviver com essa marca de que ajudei um grupo de famílias, ainda que vá contra os nossos valores e princípios, do que ter na minha imagem ou lembrança uma decisão muito ruim contra pessoas que estão lá”, afirmou ele, durante entrevista nesta segunda-feira, 1º de dezembro.

Abilio reconheceu que o posicionamento de Cattani segue a linha tradicional do partido e da direita. “O Cattani está certo, o posicionamento dele está correto. Mas vamos seguir o coração e tomar uma decisão para ajudar as famílias que estão lá”, afirmou o prefeito.

Cattani fez um vídeo criticando duramente o prefeito e classificando a regularização como uma “decisão equivocada”. Para o deputado, não cabe ao poder público premiar ocupações irregulares.

Mesmo diante da pressão interna, Abilio afirmou que manterá a decisão de pagar indenização aos proprietários e garantir a permanência das cerca de cinco mil famílias instaladas no Contorno Leste. Ele também voltou a dizer que não conta com recursos do Governo Federal e que aguarda emendas prometidas por parlamentares, incluindo os R$ 18 milhões anunciados pelo ministro Carlos Fávaro (PSD).

Com o anúncio da desapropriação, Prefeitura, Ministério Público, Tribunal de Justiça e Câmara Municipal devem iniciar, ainda em dezembro, o processo formal de regularização fundiária daquela área.

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