O desempenho da bancada federal de Mato Grosso no Congresso Nacional reforça o perfil político conservador do estado e evidencia o distanciamento em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O cenário está diretamente ligado ao resultado das eleições de 2022, quando Mato Grosso se consolidou como um dos principais redutos do bolsonarismo no país. No segundo turno, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) obteve 65,08% dos votos válidos no estado, contra 34,92% de Lula.
Esse alinhamento do eleitorado ajuda a explicar os números revelados pelo levantamento Radar do Congresso, produzido pelo portal Congresso em Foco, que analisou o comportamento dos parlamentares federais ao longo de três anos de mandato. Conforme os dados, os oito deputados federais de Mato Grosso votaram segundo a orientação do governo federal em apenas 46% das votações analisadas.
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Com esse desempenho, Mato Grosso aparece como a terceira bancada menos governista da Câmara dos Deputados, atrás apenas de Santa Catarina e Rondônia. O ranking é liderado por Santa Catarina, que apresentou índice de governismo de 41%, seguida por Rondônia, com 44%. Mato Grosso ocupa a terceira posição, com 46%, demonstrando uma postura majoritariamente oposicionista ou independente em relação ao Planalto.
Já os três senadores mato-grossenses votaram com o governo em 70% das ocasiões, um desempenho que os coloca longe de qualquer dos extremos, na média com a maioria dos estados.
O índice de governismo é calculado a partir das votações em que os parlamentares seguem ou não a orientação do líder do governo. Votos favoráveis ou contrários que acompanham a posição oficial do Executivo elevam o percentual. Por outro lado, votos divergentes, abstenções, ausências ou obstruções reduzem o índice, refletindo menor alinhamento político.
Entre os deputados mato-grossenses, o menor índice de alinhamento ao governo Lula é do deputado Rodrigo da Zaeli (PL), que assumiu o mandato no fim do ano passado na vaga deixada por Abilio Brunini (PL), atual prefeito de Cuiabá. Zaeli acompanhou a orientação governista em apenas 22% das votações das quais participou. Na sequência aparecem Coronel Fernanda (PL), com 24%, e Coronel Assis (União), José Medeiros (PL) e Nelson Barbudo (PL), todos com 25%.
A deputada Gisela Simona (União) apresentou um comportamento intermediário, votando com o governo em 65% das ocasiões, sem se consolidar claramente como integrante da base governista nem como oposição. Já os deputados do MDB foram os mais alinhados ao Executivo federal: Juarez Costa seguiu a orientação do governo em 77% das votações, enquanto Emanuelzinho registrou índice de 94%.
O posicionamento da bancada ficou evidente em votações de grande repercussão nacional, como a proposta que reduzia penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e a rejeição de uma medida provisória que tratava da compensação do aumento do IOF. Em ambas as situações, a maioria dos deputados de Mato Grosso votou contra os interesses do governo federal.


