O governador Mauro Mendes (União) voltou a adotar um tom duro ao comentar sobre invasões de terras em Mato Grosso. A fala vem logo após a decisão do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de iniciar a desapropriação e regularização da área ocupada no Contorno Leste. Em entrevista nesta segunda-feira, 1º de dezembro, Mendes afirmou que o governo mantém política de “tolerância zero” contra invasões e que o Estado não pode ser responsável por problemas que cabem aos municípios.
Ele também criticou a cultura histórica de ocupações irregulares em Cuiabá e afirmou que a regularização pública não pode servir de incentivo para novas invasões. “O prefeito Abílio, como qualquer prefeito, tem autonomia para tomar as suas decisões. Está dentro do município dele e o governo não tem nada a comentar com relação a isso.
"[A resposabilidade] é do estado de direito, que é governo federal, governo municipal e governo etadual. Claro que nós precisamos ampliar, sim, as políticas públicas de habitação, mas invasão não é algo que o nosso governo está compactuando. Nós estamos com um programa de tolerância zero contra invasão. No campo, 60 invasões aconteceram, 60 invasões foram desestimuladas, foram neutralizadas por atuação da Polícia Militar, junto com a Polícia Civil, cumprindo a lei. Então o governo tem uma política um pouco reticente com relação a qualquer coisa que envolva invasão. Senão, todo mundo vai invadir uma terra e pedir para o Estado regularizar. Isso não pode", disse Mendes.
Sobre a situação das famílias já instaladas no local, Mendes afirmou que existe um levantamento, mas que o perfil social indica que a maioria não se enquadra em políticas de vulnerabilidade.
“Já foi feito um levantamento lá. Muitos não. Parece-me que, eu não tenho um dado consistente, mas tem um levantamento de perfil social e é um número muito pequeno de quem realmente [precisa]. Historicamente, a gente conhece esse negócio em Cuiabá, essa prática. Muitos bairros foram feitos com invasões. Você vai aí pelo interior, isso não existe. Cuiabá, infelizmente, ainda tem essa prática. Vê um terreno, invade e aí cria toda essa confusão. O governo do Estado tem um pouco de reticência com relação a fazer alguma coisa que estimule ou que aponte que isso pode ser uma boa alternativa. Milhares de pessoas não têm casa e não invadem terreno. Milhares de pessoas estão sonhando com a casa própria. Milhares de pessoas estão comprando a sua casa própria, financiada pela Caixa Econômica, trabalhando e pagando. Então, se um grupo resolve invadir, a gente tem que ter um certo cuidado no desdobramento da política pública para isso", completou.







