Após o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) afirmar que o ex-deputado federal e ex-ministro da Agricultura Neri Geller (PP) apoia “essa casta de vagabundos até hoje”, em referência ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Geller rebateu a declaração e questionou diretamente o parlamentar.
Em resposta, o ex-ministro afirmou que sua trajetória política sempre foi voltada à segurança jurídica no campo e perguntou a Cattani quem teria feito mais nesse sentido do que ele, enquanto deputado federal e ministro da Agricultura.
Geller destacou que, além de votar, liderou a agenda da Liberdade Econômica no Congresso Nacional, ao lado de parlamentares citados por Cattani, como Jerônimo Goergen, Nilson Leitão e Pedro Lupion. Ele também ressaltou sua atuação em marcos legislativos considerados estratégicos para o agronegócio, como a Lei do Fiagro e a Lei do Licenciamento Ambiental.
O ex-deputado federal lembrou ainda que chegou a ser designado relator do projeto de regularização fundiária, mas abriu mão da função a pedido do governador Mauro Mendes (União Brasil) para assumir a relatoria do licenciamento ambiental, pauta classificada como prioritária para Mato Grosso.
Ao rebater a acusação de apoiar invasões de terra, Geller foi enfático ao afirmar que sempre se posicionou contra esse tipo de prática. Segundo ele, sua defesa se restringe à reforma agrária realizada dentro da legalidade, distinguindo o processo constitucional de desapropriação de áreas das invasões de propriedades privadas.
Geller também trouxe ao debate a origem do município de Lucas do Rio Verde. Ele lembrou que o episódio mais controverso envolvendo ocupações de terra na região, a invasão da Fazenda Noni, ocorreu no final da década de 1970, ainda durante o regime militar. De acordo com o ex-ministro, a área foi posteriormente desocupada pelo próprio governo militar, o que resultou no acampamento da Encruzilhada de Dom Natalino, considerado um marco simbólico da luta pela terra na região.
O parlamentar ressaltou que a consolidação da reforma agrária que estruturou Lucas do Rio Verde não se deu por meio de invasões, mas a partir de áreas devolutas da União e de desapropriações legais conduzidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Entre os exemplos citados estão a Fazenda 35, desapropriada e transformada em assentamento, e a Fazenda Marape, também conhecida como Marapezão, área onde a família de Cattani foi assentada.
O Assentamento Marape foi mencionado por Geller como prova de que Cattani e sua família foram beneficiados pela política de reforma agrária, incluindo a manutenção, até hoje, de lote no assentamento. Ele também recordou que, quando assumiu a liderança da bancada, Cattani o procurou para indicações à diretoria do INCRA. Além disso, mencionou o trabalho conjunto entre as famílias na abertura das primeiras estradas de Lucas do Rio Verde, com apoio do pai do deputado estadual.
Por fim, Geller reforçou que a reforma agrária na Amazônia Legal seguiu o rito constitucional, com processos de compra, desapropriação e indenização, como ocorreu no projeto de assentamento da Fazenda 35 e em outras áreas da região.
Segundo ele, a formação e o desenvolvimento de Lucas do Rio Verde não tiveram origem em invasões de terras, mas em áreas da União, terras devolutas e desapropriações legais, reiterando sua posição contrária a qualquer ocupação irregular.


