Marcos Oliveira, de 69 anos, decidiu se manifestar nas redes sociais após dar declarações polêmicas envolvendo o Retiro dos Artistas. O ator, que ficou conhecido por viver o personagem Beiçola em A Grande Família, pediu desculpas, disse que não quer confusão e explicou que estava em um momento de "angústia" quando falou sobre a rotina da instituição que acolhe artistas idosos.
"De novo [estou] no meio da bagunça. Eu quero dizer que dei uma entrevista geral e bonita para a Veja em janeiro. Eu estava em um momento de muita angústia, passando mal, então quero que as pessoas considerem isso, porque pincelaram dessa entrevista e fizeram esse pandemônio para sobreviverem", começou dizendo.
"Quero pedir desculpas, que essa não é a minha intenção, de ofender ninguém, cada um tem um processo. O meu processo... Eu ainda estou de colostomia, que dói pra dedéu, preciso trabalhar, preciso operar. Enfim, eu não quero confusão com ninguém. Tem vidas humanas aqui no Retiro. Espero que vocês me perdoem por tudo mais uma vez e vamos em frente, que eu tenho que trabalhar", completou.
Declarações polêmicas
Na entrevista que viralizou, Marcos reclamou do barulho nas refeições: "Viver aqui é ótimo, só que tem que se adaptar, porque aqui não tem uma conduta geral para conviver, entendeu? Aí você vai e aguenta. Na hora do almoço, é uma refeição que eles [outros moradores] falam para caral*o, gritam... A relação deles é gritar. Eu falo assim: você pode sair da favela, mas a favela nunca sai de você. O comportamento é muito mal educado. Fico quieto, vou lá, aguento numa boa".
O ator também não escondeu que gostaria de desfrutar de momentos íntimos na casa que mora no Retiro. "A gente, mesmo velho, a sexualidade existe no inconsciente. Há o desejo sexual noturno e isso não se toca no assunto. Velho não é para sentir prazer, não é para ter relação. Não quero fazer um sexo Cirque Du Soleil, que sobe e desce, mas é uma troca de carinho e, aqui, não pode ter isso", declarou.
Retiro dos Artistas se manifesta
Em conversa com a Quem, Cida Cabral, diretora do local que abriga artistas idosos, explicou por que existem restrições.
"O que a gente procura fazer é não misturar as coisas. Aquele que ainda tem o seu desejo sexual aflorado, pode, sim, explorar, mas fora do Retiro. Se ele tem desejo sexual aflorado, isso significa que tem uma condição física e psicológica de sair e explorar esse desejo. Eu lido com cerca de 60 idosos numa faixa etária de 70 anos. Se cada um deles quiser explorar seu desejo sexual dentro de uma instituição para idosos, o que viraria?", questionou Cida, que explicou na sequência que não conseguiria controlar o fluxo de pessoas.
A diretora da instituição deixou claro que os idosos podem receber visitas de familiares e amigos, algo que deixa o Retiro movimentado.
"Ela [a instituição] foi criada para abrigar artistas em situação de vulnerabilidade, onde temos uma série de coisas a cumprir e de prestações de contas para dar ao Ministério Público, porque somos fiscalizados. Como podemos deixar esse tráfego de pessoas [estranhas]? É diferente quando a pessoa tem um parceiro fixo, mas querer explorar com um, dois, três... isso vai criar um fluxo. De forma simples e direta: todos têm o direito de explorar seu direito sexual, mas não dentro da instituição, infelizmente", afirmou.
Cida também rebateu as reclamações de Marcos sobre o convívio com os outros residentes. "Às vezes, mesmo a pessoa em situação de vulnerabilidade, não é fácil aceitar. Talvez pelo que ele já viveu, não é fácil aceitar, mesmo com tudo o que o Retiro oferece. Acaba que a pessoa procura um desculpa para estar aqui ou invés de aproveitar e viver tudo aquilo que é oferecido. O Retiro pode não ser a oitava maravilha do mundo, mas tenho certeza que nós hoje somos considerados uma das melhores instituições que abriga idosos neste país, principalmente quando a gente fala de acolhimento, amor e dignidade", enfatizou.




