Após uma semana marcada por feminicídios, prisão de um assassino e estuprador em série, jornalista agredida no exercício da profissão e uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) barrada na Assembleia Legislativa (ALMT), ato no Parque das Águas clamou por mais segurança às mulheres. O evento, neste sábado (30), reuniu grupos de mulheres, coletivos de apoio, bem como familiares de vítimas, reforçou a necessidade de políticas públicas eficazes para enfrentar a escalada da violência contra a mulher em Mato Grosso. Vale destacar um número vergonhoso para o estado: pelo segundo ano consecutivo ele é o que mais mata mulheres no país. Além disso, Sorriso (420 km ao Norte) aparece entre as primeiras com maior índice de estupros e estupros de vulneráveis.
A deputada Janaina Riva (MDB) participou do ato e destacou a relevância do ato para gerar reflexões e construir caminhos de enfrentamento.
“Hoje ouvimos depoimentos como o da Débora Sander, uma mulher violentada pelo ex-marido, teve coragem de denunciar e transformou sua dor em missão de vida. Isso nos mostra que a mulher não pode se calar, ela precisa agir, denunciar e buscar ajuda. E aqui estão mulheres que apoiam outras mulheres, numa rede de solidariedade que precisa ser fortalecida”, afirmou.
Janaina ressaltou que Mato Grosso vive um momento histórico, com 3 mulheres no parlamento e destacou que a representatividade dela, da deputada Sheila Klener, que também esteve na manifestação, e da deputada Edna Sampaio, precisa se traduzir em ações mais ousadas.
“Não basta lamentar mortes. Precisamos de orçamento, de recursos efetivos para as pautas femininas, de políticas que previnam a violência antes que ela aconteça”, argumentou.
A deputada criticou ainda a propaganda do governo estadual que exalta a solução de crimes. “Não queremos apenas saber quem matou. Queremos que o Estado seja eficaz em evitar que essas mortes aconteçam.”
Na fala durante o ato, Janaina foi firme ao cobrar igualdade de tratamento às vítimas, independentemente da condição social das famílias. “Quando um feminicídio atinge uma família mais abastada, há mais forças para buscar justiça. Mas as mulheres humildes não podem ficar sem voz. Todas merecem justiça”, declarou.
A deputada também defendeu que a sociedade assuma o compromisso de romper com a cultura da omissão diante de sinais de violência. “Muitos ainda acham que é intromissão se o vizinho chamar atenção de um casal que briga. Mas é muito melhor ser intrometido do que omisso. Em Sinop, uma mulher morreu porque a vizinha ouviu os gritos e os pedidos de socorro, mas acreditou que era apenas uma briga de casal. Não podemos mais naturalizar a violência.”
Por fim, Janaina reforçou que a verdadeira propaganda que o Estado deve fazer é a do compromisso com a vida das mulheres, com orçamento e políticas de prevenção. “Queremos tolerância zero à violência contra a mulher e orçamento digno para proteger as mulheres de Mato Grosso. O Estado, que é um dos mais ricos do Brasil, precisa proteger seu maior patrimônio: as pessoas”, concluiu.